16.2.10

Lá e de volta outra vez

Então né, acabou minha temporada no Mamíferas. É muito bacana escrever sobre coisas que eu gosto em um lugar que eu sei que vou ser lida por pessoas que pensam como eu, e receber um feedback jóia sobre as questões que permeiam a maternagem.

Agora sobre o Ben.

Passei todos os dias de carnaval absolutamente sozinha com ele. Te contar, mulheres nunca, em nenhuma organização social ficaram sozinhas com os filhos, a casa, o trabalho. Isso é coisa do mundo moderno, capitalismo, auto-suficiência e afins. Taí uma coisa que eu cuspi pra cima. Eu achava que seria a super-mãe fodona e que não precisaria de ninguém me ajudando com meu filho... Aí precisei terminar a faculdade, depois precisei ganhar dinheiro, e consequentemente, precisei de babá.

E a babá de Benjamin é um anjo caído do céu diretamente aqui em casa. Nunca questionou banho de balde, leite no copinho, verduras no vapor, comidas integrais, inexistência de chupeta, mamadeira, nada. Se teve alguma dificuldade com as minhas excentricidades, nunca demonstrou. Tem 1,50m mas sempre carregou Benjamin pra cima e pra baixo quando ele ainda não dominava completamente o elemento chão, e agora que o faz, corre atrás dele o dia inteiro.

Aí ela foi descansar as asas e pular o carnaval, e eu fiquei sozinha. Não que eu não estivesse ansiosa por isso, depois de 8 dias de cama sem poder dar banho no meu filho eu queria tirar todo o atraso, mas vai tentar cozinhar enquanto seu filho tenta comer seixos lodosos, vai. Ou tomar um banho daqueles quando a maior soneca que ele tira durante o dia dura 20 minutos. Tenta vencer o desafio Activia no começo da manhã, quando a energia acumulada de uma noite de sono está pronta para desbravar a casa novamente. Não dá, gente.

E isso porque eu moro com a minha família. E assim, tirando 10 minutos que minha avó ou irmã dão uma olhada a distância enquanto eu requento a janta do menino, o dia inteiro sou eu, pra correr atrás, recolher brinquedos, lavar as fraldas... mas é muito bom. Nós estabelecemos uma rotina nossa, brincadeiras nossas, consegui fotografá-lo e filmá-lo. Adorei. Queria todo dia assim de novo. Mas a quarta-feira ingrata chega tão depressa, só pra contrariar, e quinta eu volto pra labuta, assim como a babá.

E assim, eu ainda acho que sou a super-mãe fodona autosuficiente, mas não tenho mais dinheiro nem estado civil para sê-lo somente, então obrigada, babá, por existir em minha vida.

4 comentários:

Érika Zemuner 16 de fevereiro de 2010 22:23  

Nanda, eu li todos os seus posts no Mamíferas e você está de parabéns. Só você mesmo pra me fazer ler coisas sobre esse universo rs

Eu nem quero imaginar sua trabalheira. Quando minha mãe viaja com a minha irmã e eu fico sozinha já fico cansada de ter que cuidar da cachorra, imagina de uma criança que exige banhos, comida mais elaborada que ração (rs), trocas de fralda, etc, etc.

Continue aqui no blog o ritmo que você precisou adquirir no Mamíferas. Adorei seus textos lá.

Ninoca 17 de fevereiro de 2010 16:28  

Oi! Acabei de conhecer o seu blog através do Mamíferas! Eu também tenho uma pequena peralta em casa com quase 10 meses e não tenho babá, mas ela vai para a creche enquanto eu trabalho...então em casa só eu mesmo para fazer as coisas, hehehehe. Eles dão um trabalho, né? Mas muita alegria também e é dessa parte que a gente gosta mais. Gostei do comentário sobre o desafio activia, rsrsrsrs, quando conto sobre isso para algumas amigas elas não acreditam! Só mãe para saber! Abraços! Janine

Anne 17 de fevereiro de 2010 21:42  

Imagino a sua correria... fiquei aguardando a resposta do seu e-mail, mas como ela não veio e a reforma em casa tornou o ar 'irrespirável', passei esses dias na casa da minha mãe.

Curiosamente comecei a pensar sobre este assunto - o estar sozinha (ou quase cuidando do bebê) - esses dias. Ela me convidou de novo pra passar uns dias lá imediatamente após o nascimento da Ísis, mas odeio a ideia de incomodar e de não poder estabelecer uma rotina em minha própria casa desde o início.

Enfim, estou entre a cruz e a espada, sem saber como farei. Sei que ficar em casa sozinha (só com pai de primeira viagem) é difícil, mas ficar em casa alheia tb é lasca. Não vou 'guentar se começarem a reclamar do choro da minha nenê, vou dar chilique e pegar o beco se isso acontecer.

Fora os palpites que surgem quando o RN chora, né? Todo mundo acha que é sede, é fome, é calor, é frio... só não acha que é adaptação ao mundo externo, não é incrível isso?

Well, é isto. Ah, e parabéns pela participação especialíssima no Mamíferas!

Beijocas!

Stephanie Gomes 21 de fevereiro de 2010 13:54  

Temos algumas características em comum: estou terminando a faculdade de jornalismo, 24 anos, mãe da princesa Cecília de 1 ano e tbm achava que era super-mãe fodona autosuficiente.. rs rs
Nada como o tempo para nos ensinar, e em nosso caso ainda teremos muuitas lições pela frente.
Coloquei um post lindo em minha pág www.jaeassunto.blogspot.com, crônica Verdadeiro Amor.