7.7.10

Pintando o sete

Existem algumas coisas que você sonha em fazer com seus filhos. Victor, por exemplo, sempre sonhou em andar de bicicleta com Benjamin em uma cadeirinha apropriada. Eu sou menos física: sempre sonhei em sentar com meu filho para pintar. Quando eu era pequena, fazia todo tipo de aulas em um espaço de artes perto de casa, era aula de flauta doce, aula de balé e a minha favorita: aula de artes plásticas. Lembro-me particularmente dessa última, pois haviam enormes latões de tinta e o chão era forrado com papéis, eu saía de lá inteiramente pintada. Era a glória.

Poder proporcionar essa sensação Benjamin é um dos meus objetivos de vida. Então assim que ele parou de colocar tudo que estivesse ao seu alcance na boca, eu decidi que era a hora de acharmos uma válvula de escape para a minha sua expressão artística correr livremente. Só que... Benjamin é extremamente nojento.

Quando eu digo nojento, não é do tipo (ainda) de enfiar o dedo no nariz e comer meleca, pelo contrário. Ele é asseado e organizado, a um nível surpreendente. Se cai uma gota de suco na mesa de comida, ele aponta, quer secar. Se a gota de suco cai em seu colo, ele corre a limpar. Faz muita bagunça na hora de comer (quer comer sozinho agora), mas pede um guardanapo para limpar a mesa no final. Não pode ver um papel no chão que pega e joga no lixo, ele mesmo leva suas roupas para o balde sob o tanque. Armários com portas abertas? Fecha-as sem exceção, falando "abu, abu", que é abrir e fechar.

Então foi todo um processo para que ele aceitasse pintar com os dedos. Porque eu colocava a tinta na mão dele, ele limpava na coxa. Eu colocava mais, mostrava como pintar o papel, ele limpava o dedo no papel. Eu mostrava como derramar a tinta, ele queria derramar toda a tinta de todas as tampinhas para deixá-las livres daquilo. No final, ele pintou mais o chão do que o papel, e se divertiu. Mas só se acalmou depois que lavei suas mãos. E depois que varreu o chão.

E não venha me chamar de bagunceiro!

Depois ele renegou a arte como mercadoria esperando que o vissem como representante do valor estético e não comercial, até porque aquela pintura nem estava combinando tanto assim com a decoração do pátio, jogou na terra.


Vendidos, todos vocês!


Essa manifestação rendeu-lhe algum tempo na cadeia,


Bicicleta, um dia a montarei

de onde saiu um homem renovado, com gosto por culinária, cálculo e literatura. 

Postura impecável, fruto de exercícios prisionais

E essa foi a nossa experiência com a pintura. Esperamos repeti-la em breve.

5 comentários:

Érika Zemuner 7 de julho de 2010 21:14  

Ahhhhh, que delícia deve ter sido tirar toda essa tinta da perna dele depois!
E ele herdou essa organização toda de quem, heim? Torce pra ele continuar assim sempre. Imagina, deve ser o sonho de toda mãe não precisar ficar mandando o filho tirar o uniforme depois de chegar da escola, não precisar mandar pendurar a toalha molhada, limpar o quarto, não comer na mesinha do pc... Hasuhasuahsuahs! Você foi abençoada com o filho que toda mãe deseja.

Espero que você tenha quadrado a "primeira obra-prima" do Benjamin pra mostrar a ele futuramente. E você tá fazendo o moleque pender pras humanas, Nanda. Faz isso com ele, não que humanas não deixa a gente rico.

Mariana Tezini 7 de julho de 2010 21:26  

o melhor é ver o menino só de fralda e depois com um body "pelado"...é triste só ver o corpinho do seu filho só na hora do banho, humpf! quanta roupa nesse frio, nem brincar direito o moleque consegue cheio de casaco...
Invejinha!

Luciana 7 de julho de 2010 21:33  

Ha! Pois pega sua descrição de nojenteza e substitui Ben por Nic. Menina, lendo seu texto eu achei que você estava falando era do Nicolas... i-gual-zi-nho!!!! E tambem limpa tudo e fecha portas! Nem na praia ele gosta de ir mais, porque quer limpar toda aquela areia acumulada...

Agora espalhar tinta como voces fizeram é meu ultimate dream, mas vai ficar pra quando a gente mudar pra uma casa com quintal, daqui alguns meses...

Beijos

Nanda 7 de julho de 2010 22:05  

Érika, o pai babão levou a pintura (depois de tirarmos a maior parte da terra), disse que ia emoldurar. Quero só ver, viu. E olha, juro que estou tentando que ele tenha interesse por outras áreas, olha aí a calculadora, é dele. Ele tem um ábaco também. Não curte nenhum dos dois, haha.

Mari, aqui é calor o dia inteiro. Só quando chove é que eu coloco uma regatinha, mas ele passa o dia todo de fralda, e ainda fica suado. Não sei se ia dar certo no frio, porque ele ODEIA vestir roupa. Filho de índio, acho.

Lu, será que é só fase, ou é deles mesmo? Porque olha, vou te contar, eu não sei de onde ele tirou, viu? Eu sou a bagunça personificada e o pai dele não fica muito atrás. Aliás, aqui em casa só a minha irmã mais velha é organizada, não sei mesmo de onde surgiu essa mania de limpeza e arrumação. Espero que perdure, mas bem que ia ser legal se ele gostasse de espalhar tinta como eu...

Bruno Normande Lins 8 de julho de 2010 00:40  

hahahahah adorei ^^

Jaja tá na hora de eu ensinar a ele a jogar video game! XD